O que tirou Marcelo Ramos da disputa eleitoral pelo Senado
A direção nacional do PT repete com Marcelo Ramos o que fez com Praciano.
Em 2018, Praciano seria eleito senador, mas foi jogado para escanteio. Agora, Marcelo iria disputar o senado com grande possibilidade de eleição. Novamente, a direção nacional do partido enterrou esse projeto.
O PT do Amazonas vem tendo muito problema com a direção nacional.
Teve um ano que o deputado Sinésio Campos foi escolhido para ser candidato a prefeito de Manaus. Foi tirado na marra pela direção nacional. O ex-senador João Pedro foi eleito pelo partido para ser vice na chapa de Eduardo Braga. Foi tirado na marra pela presidente nacional do PT.
Não se trata de posição estratégica do jogo polÃtico-eleitoral. O que existe nisso é um enorme preconceito com a Amazônia. O olhar da direção nacional do partido, majoritariamente composta por gente do sudeste (leia-se, São Paulo) é de bandeirantes.
Os dirigentes ainda pensam que podem entrar, capturar indÃgenas e mantê-los sob cativeiro. A Amazônia e os povos que aqui vivem ainda sofrem com a prática colonialista do sul. Não se trata de uma visão regionalista, mas de história.
A direção nacional do PT é colonialista, quando se trata da Amazônia. Não ouve a militância, não respeita as decisões da instância partidária estadual. O Amazonas é apenas uma moeda de troca.
Quanto à pressão polÃtica do senador Eduardo Braga para tirar Marcelo da disputa eleitoral, já era de se esperar.
Não existe justificativa eleitoral, já que serão eleitos dos senadores este ano. Marcelo não tiraria voto de Eduardo. A pressão do senador de direita tem viés polÃtico e ideológico.
Marcelo é um quadro polÃtico preparadÃssimo. Um dos melhores do Amazonas e do Brasil. É jovem. Tem grande capacidade de articulação e de se comunicar com o povo. Mesmo sem mandato ou cargo público, vinha crescendo nas pesquisas de opinião. Seria um nome com viabilidade eleitoral.
A perseguição do Eduardo Braga para cassar a candidatura do Marcelo Ramos é ideológica.
Marcelo é do campo de esquerda e o senador de direita, que votou pela cassação da presidente Dilma, teme sua ascensão. Marcelo não tem história suja e apresentaria para a sociedade uma possibilidade da ação polÃtica com ética e honestidade. Isso incomoda quem faz polÃtica pensando no seu bolso. No bolso de quem é roubado para encher o bolso de quem rouba dinheiro público.
A ação traiçoeira de Eduardo Braga para tirar Marcelo Ramos da disputa eleitoral pode ir além do viés ideológico. Pode ter acordo sujo para beneficiar uma candidatura da extrema direita. Desse indivÃduo tudo é possÃvel. Ele não tem qualidades humanas como ética, empatia e moral.
Felizmente, temos outros nomes do campo democrático e popular para votar para o senado. O voto consciente jamais será dado a quem tem história sórdida e rasteja na lama podre da desonestidade.
Lúcio Carril
Sociólogo.

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