Ministério da Saúde prevê incorporar canetas emagrecedoras ao SUS com investimento de R$ 1,5 bilhão por ano
O Ministério da Saúde trabalha para ampliar o acesso às chamadas canetas emagrecedoras por meio da possível incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A estimativa inicial prevê um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para ofertar os tratamentos gratuitamente à população, com possibilidade de redução de 80% a 90% nos preços de aquisição, considerando a escala de compras do sistema público e a produção nacional.
Em menos de um ano, os preços desses medicamentos caíram cerca de 70% nas farmácias, ampliando o acesso aos tratamentos. A proposta de incorporação ainda será submetida à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar novas tecnologias em saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, medidas adotadas desde 2025 contribuíram para ampliar a oferta e criar condições para a possível inclusão dos medicamentos na rede pública.
“Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o acesso. Deixou de ser só para ricos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A ampliação da concorrência e a entrada de novos fabricantes no mercado contribuíram para a redução dos preços e o aumento da disponibilidade dos produtos.
A partir de um chamamento realizado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2025, para estimular a entrada de novos fabricantes, 16 novos produtos foram registrados somente em 2026, incluindo genéricos e similares. Pelo menos quatro deles são produzidos no Brasil.
De acordo com dados da Anvisa, o número de pessoas que utilizam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
Queda nos preços abre caminho para ampliar o acesso
A ampliação da concorrência, a possibilidade de produção nacional e a multiplicação das apresentações disponíveis no mercado criaram condições para que o governo federal avalie a oferta dos medicamentos em escala pública.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a expectativa é que o poder de compra do SUS, associado à produção local, permita reduzir significativamente os custos de aquisição.
“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, afirma.
Com base nesse cenário, o Ministério da Saúde apresentou um pedido de avaliação dos medicamentos à Conitec, que deverá analisar as evidências científicas, os benefícios clínicos, os custos e a viabilidade de eventual incorporação ao sistema público.
O ministro ressalta que a proposta está relacionada ao tratamento da obesidade e à prevenção de complicações associadas à doença, e não a finalidades exclusivamente estéticas.
"Quando a gente fala em incorporar ao SUS, não estamos falando de incorporar um milagre estético. Estamos falando de incorporar uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive nos custos do sistema de saúde. Vai reduzir o volume de cirurgias bariátricas, de internações por doenças cardiovasculares e de internações por recidiva de câncer, por exemplo”, destaca Padilha.
Proposta segue recomendações internacionais para tratamento da obesidade
A iniciativa está alinhada às recomendações mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso de terapias baseadas em GLP-1 no tratamento da obesidade.
A entidade destaca que esses medicamentos devem fazer parte de estratégias abrangentes de cuidado, associadas à alimentação saudável, à prática de atividades físicas e a outras medidas de saúde pública.
A OMS também ressalta a importância de ampliar o acesso e reduzir os preços dessas terapias, de modo a favorecer a equidade no atendimento e evitar que o tratamento fique restrito a pessoas com maior capacidade financeira.
Nesse contexto, o Ministério da Saúde destaca a ampliação das ações de promoção da saúde e prevenção de doenças no SUS, especialmente por meio da Atenção Primária.
“No final do ano passado, lançamos a nova portaria da Academia da Saúde, que prevê chegar a quase 2 mil unidades, com novo investimento não só para compra de equipamento, mas para a contratação de nutricionista, educador físico, fisioterapeuta. O Ministério colocou esses recursos, os municípios aderiram, a gente criou um outro ambiente no SUS para esse enfrentamento”, destaca Padilha.
Academia da Saúde amplia ações de prevenção e cuidado
As atividades da Academia da Saúde cresceram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil, em 2025, representando um aumento de 48,5%.
A política prevê a implantação de 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios de todas as regiões do país, com investimentos de R$ 80,7 milhões.
Integrada à Atenção Primária à Saúde, a Academia da Saúde oferece atividades físicas e outras ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e produção do cuidado nos territórios.
A iniciativa busca fortalecer o acompanhamento da população, estimular hábitos saudáveis e ampliar as estratégias de enfrentamento à obesidade e às doenças crônicas.
A eventual incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS, por sua vez, dependerá da conclusão do processo de avaliação da Conitec e das decisões posteriores do Ministério da Saúde.

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