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    Pacto contra o feminicídio - O clamor de um homem

     

    https://solidariedade.org.br/

    Vergonha e indignação é o que define meu sentimento ao me dirigir aos homens do meu estado e do meu país. 

    A cada seis horas uma mulher é morta no Brasil apenas por ser mulher. De 2015 a 2025, foram 13 mil mulheres assassinadas apenas por serem mulheres.

    Em 2025, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar. 71% das agressões ocorreram na presença de crianças. 1.479 mulheres foram mortas no ano passado.

    8 de cada 10 mulheres são vítimas de feminicídio cometido por seus parceiros ou ex-parceiros.

    Conheço as origens de toda essa violência, mas não reconheço o agressor como vítima da estrutura ideologizante da sociedade brasileira. Cresci na resistência e sei que podemos vencer essa ferida aberta.

    Seres humanos é o que somos, com capacidade cognitiva, com sentimento, cheios de esperança, capazes de amar com toda a beleza que o amor tem na sua essência.

    Não podemos continuar sendo derrotados pela desumanidade.

    Se não tem mais amor, sai fora, entra num entendimento sobre a criação dos filhos. Se não tem filhos, vai cuidar da tua vida e deixa a mulher em paz. Deixa de ser um paspalho.

    Nós não somos donos de ninguém e sentir ter a posse de outro ser humano é uma vergonha, é nojento, é asqueroso. Ser humano nasce para ser livre e feliz. 

    Se amamos nossa companheira,   vamos abraçá-la. É tão gostoso se envolver no corpo de quem amamos. É tão gostoso beijar, conversar sobre as dificuldades da vida, sobre os filhos, dividir sonhos e esperanças. 

    Não é bonito o desamor, o desrespeito, a opressão. Esses sentimentos nos tornam seres feios, carcomidos pela violência e pela desumanidade. 

    Vamos lá. Vamos criar um pacto com nós mesmos de construção de um mundo melhor. 

    Vamos mostrar ao mundo que homens e mulheres caminharão juntos em todas as estações do ano. Que tomaremos banhos de chuva no inverno amazônico e no verão, nos banharemos juntos no Encontro das Águas.

    Não vamos mais permitir que as brincadeiras machistas estimulem o desrespeito. Não vamos deixar passar despercebida a agressão daquele conhecido contra sua companheira. Lutar por justiça também faz bem para uma vida feliz. 

    Nós podemos sim construir um mundo de mais respeito e amor. Somos homens e homens não desrespeitam mulheres. Qualquer conduta noutro sentido, é um desvio humanitário.

    Temos que ter vergonha apenas daquilo que desumaniza. Não temos que ter vergonha de amar e respeitar. Nós podemos sim nos construir como seres humanos melhores.

    Escrevo essas linhas com as tintas da honestidade. Sei que não é fácil desconstruir a cultura machista, mas é possível derrotá-la e derrotar o mal é muito legal. 

    Vamos lá, moçada. Vamos dar as mãos e fazer do feminicídio e da violência contra a mulher uma ferida do passado. Vamos construir a felicidade, juntos.

    Lúcio Carril 

    Sociólogo

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